DIA DO CORDELISTA, DIA DE LEANDRO

“Para entendermos melhor o processo, precisamos retroceder às últimas décadas do século XIX, quando surgiu Leandro Gomes de Barros, nascido no sítio Melancia, então município de Pombal (PB), a 19 de novembro de 1865. Não é absurdo afirmar que este autor é o “pai da Literatura de Cordel brasileira”, já que explorou e deu forma a todos os gêneros e temas, preparando, assim, a estrada na qual os vates populares transitam ainda hoje.
Leandro migrou para a região do Teixeira, ainda na Paraíba, um dos berços da poesia popular do Nordeste. Aos 15 anos, mudou-se para as cidades pernambucanas de Vitória, Jaboatão e, finalmente, Recife, onde permaneceu até sua morte, ocorrida a 4 de março de 1918. Na capital pernambucana, ao lado dos confrades Francisco das Chagas Batista e Silvino Pirauá de Lima, Leandro ajudou a escrever algumas das mais belas páginas da história da cultura brasileira.
Com ele surgiu a figura do editor de Cordel que escrevia, publicava e distribuía a sua produção.
Nas raras horas de lazer que a lida da roça proporcionava, as pessoas se reuniam em torno de alguém que soubesse ler, e se deleitavam com os romances de Leandro: O cachorro dos mortos, Os sofrimentos de Alzira, Juvenal e o dragão, A força do amor, Peleja de Manoel Riachão com o Diabo,História da donzela Teodora, O boi misterioso. Estas e muitas outras obras já ultrapassaram com folga a casa dos milhões de exemplares vendidos, e são reeditadas há mais de cem anos, interruptamente. Nenhum poeta brasileiro o superou em número de leitores. Paradoxalmente, seu nome é pouco conhecido. Isto, em parte, pode ser atribuído às contrafações do editor João Martins de Athayde, paraibano de Ingá do Bacamarte, personagem de destaque na história do Cordel.”
(Págs. 20-21)

